quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Embarque no Navio NIASSA em 09/04/74


O dia 9 de Abril de 1974 ficou profundamente marcado por todos os militares que estavam no navio Niassa, na altura encostado no Cais de Alcântara e assim como todos os que se encontravam na plataforma ou na varanda da Gare Marítima, a aguardar a partida que estava marcada para as 18 horas.

Às 17 horas já o embarque tinha sido efectuado e militares dum lado, familiares e amigos do outro, trocavam gestos e sons muito característicos destas alturas.

Notei a presença de homens rã a fazer uma inspecção a todo o casco do navio, mas possivelmente seria só uma rotina.

Eram 17 horas e 15 minutos e nos altifalantes do navio era solicitada a presença de todos os Oficiais, no bar da 1ª classe.

No referido bar encontrava-se um Brigadeiro que nos dirigiu a palavra de uma forma que eu por momentos não sabia se estava a partir ou se tinha chegado.

Passados alguns momentos ouve-se um grande estrondo, acompanhado de um balançar do navio.

Rapidamente saímos para o exterior e deparo com a maior gritaria e situações de pânico, que jamais tinha presenciado.

Todo o Navio foi evacuado e só na altura que todos os militares chegaram ao pé dos seus familiares e amigos, é que a situação ficou mais calma.

segue...

4 comentários:

  1. "Passados alguns momentos ouve-se um grande estrondo, acompanhado de um balançar do navio."

    Mal senti o estrondo, ainda se encontravam as escadas encostadas e estava junto a elas.

    Como não tinha família ali presente fui o primeiro e o único a sair nem entrar deste barco, partir daí ninguém pôde sair devido ao apuramento da causa do acidente.

    Cumprimentos,

    António Bernardo - Nº 00457873

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  2. José Elias

    Eu estava a bordo e o pessoal nos primeiros momentos entrou em pânico, procurando sair do navio.
    Em terra os familiares começaram aos gritos e rapidamente toda a gare de Alcântara ficou cercada por P.M. e mais tropa.
    Desloquei-me para o lado do navio que estava virado para oo rio e esperei.Depois de as coisas acalmarem, saí e ainda tive oportunidade de falar com a minha mulher que entretanto chegou à rede exterior. Mais tarde recebemos ordem para embarcar e fomos jantar

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  3. No outro dia de manhã, quando acordámos já o navio estava do outro lado do rio junto à Lisnave, para ser reparado.
    Entretanto arderam os beliches de madeira da tropa que ia no porão, bem como todos os seus pertences.
    Os familiares não sabiam que o navio estava em reparações, a informação que era dada na rádio e televisão era de que o navio tinha seguido viagem, o que na verdade só veio a acontecer na manhã do dia seguinte. Aí começava uma odisseia de vários dias que infelizmente teve episódios bem infelizes.

    Elias Furriel Miliciano 125166/73
    Seguia em rendição individual.

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  4. Já comentei n'outro site, eu fui um dos feridos, levei com o sopro da bomba, nas minhas costas, caí de uma altura de cerca de 2,5 mts, sei que em pânico me dirige para as escadas, quase que empurrado, quando cheguei ao fim esbarrei com a polícia militar a impedir que passassem, depois, bem depois tudo passou por mim e eu desfaleci, acordei no hospital militar, à força de beliscões e entrei depois no Niassa quando este já estava ao largo... foi uma odisseia que não consigo esquecer mas que a acontecer hoje não repetiria os procedimentos... vidas...

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